Em 2026, está a ser demasiado Real-Time e muito pouco, ou nenhum, Marketing. As pessoas parecem cada vez mais confusas em relação a este conceito que surgiu há alguns anos e que, sem grande reflexão, se tornou no principal alimento de muitas marcas nas redes sociais.
O Real-Time Marketing tem de ser Real-Time, ou seja, tem de ser atual, responder a algo que acontece no momento e entregar valor a uma marca. Seja através da criação de desejo, da comunicação ou da amplificação da sua mensagem. Basicamente, tem de ser Marketing.
Fazer por fazer, só para entrar na conversa e nos feeds, pode fazer mais mal do que bem a uma marca.
À primeira vista, até parece que correu bem e que foi a melhor decisão. Com o tempo, percebe-se que foi um erro.
As pessoas consomem conteúdos nos feeds. Eu abro o Instagram, o TikTok, o LinkedIn e vou deslizando até alguma coisa me chamar a atenção.
Se um tema está na ordem do dia e já vi ou ouvi alguma coisa sobre ele, fico mais atento ao que se publica sobre isso. É o tema que desperta o meu interesse. Nada mais.
De repente, aparece uma marca que entrou na conversa com uma ação de Real-Time. E eu reconheço o que ali está.
Reconheço o tema, não reconheço a marca.
Resumo-te assim: o meu interesse, enquanto utilizador, está no tema, não na marca. Posso ver o conteúdo, interagir, visitar o perfil e até seguir a marca. Mas não pelo que ela é: foi porque apareceu numa conversa que já me interessava.
Depois entram o negócio e os algoritmos.
Em 2026, a visita ao perfil é das métricas que mais pesam para gerar clientes nas redes sociais.
Grande parte dos nossos conteúdos chega a pessoas que não nos seguem e nunca ouviram falar de nós. Se algo lhes interessa, vão ao perfil para saber mais.
Depois, podemos mostrar anúncios a quem visitou o perfil porque gostou de algo que fizemos. São as pessoas certas.
Mas, quando atraímos pessoas através de uma tendência ou de um tema de Real-Time Marketing que não tem ligação à marca, corremos o risco de impactar o público errado.
Pessoas que não querem saber de nós, mas apenas do tema.
Quando investimos para voltar a chegar a essas pessoas, é provável que muitas nem sequer se lembrem de que marca somos. Só se os anúncios fossem sobre aquele Real-Time de há dois meses, que já ninguém acompanha. E isso não faz sentido.
Real-Time Marketing é uma oportunidade. E, por mais tentadoras que sejam, não podemos aproveitar todas.
Uma oportunidade só é uma oportunidade se fizer sentido para a nossa marca.
O objetivo é ligar o tema àquilo que a nossa marca é, ao que representa e, mais importante ainda, ao que vende.
Se o que vamos publicar não tiver ligação a pelo menos uma destas três coisas, estamos a prejudicar a relação com a comunidade que queremos construir.
O Real-Time não tem calendário, mas tornou-se prioridade para todas as marcas. Antes de entrar na conversa, convém perguntar o que ganha a marca com isso.
Chief Innovation Officer na Lisbon Digital School, formador, e um dos maiores entusiastas de Social Media em Portugal. Entrou no Curso de Criatividade Publicitária, na Restart, terminando-o em 2011. Nesse mesmo ano, foi um dos vencedores do Estágio Improvável da agência Torke, a primeira agência por onde passou.
Sem pausas para descanso, entra para a recém-criada equipa SL Benfica Multimédia, onde permanece durante dois anos como Head of Social Media e Brand Content. Em 2013, aceita o convite da J. Walter Thompson (actual WML), formando a primeira equipa Digital da agência.
Ocupou o cargo de Head of Social Media & Brand Content e trabalhou marcas como Vodafone Portugal, Associação Montepio, Um Bongo, Sumol, Cerveja Sagres, Sagres Bohemia e Mesas Bohemia, Yoggi, Iglo, Ikea, Mar Shopping, Galp, Nestlé, entre outras.
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