Nos últimos anos, a transformação digital deixou de ser um tema tecnológico para passar a ser um tema de talento. Ferramentas de automação, inteligência artificial e análise de dados estão a entrar no trabalho quotidiano de áreas tão distintas como marketing, vendas, operações ou recursos humanos. O desafio para muitas empresas é conseguir atualizar as equipas à velocidade que o mercado exige.
Neste contexto, existe uma medida pública que muitas organizações ainda conhecem pouco: o Cheque Formação + Digital.
Embora a candidatura seja feita individualmente pelos trabalhadores, a medida pode tornar-se um instrumento relevante para as empresas que procuram acelerar o desenvolvimento digital das suas equipas.
Este artigo explica o que é a medida, como funciona e, sobretudo, qual pode ser o papel das empresas na sua ativação.
O que é o Cheque Formação + Digital
O Cheque Formação + Digital é uma medida integrada no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que financia formação em competências digitais para trabalhadores empregados.
O objetivo é simples: acelerar a digitalização da força de trabalho em Portugal, num momento em que praticamente todas as funções estão a incorporar ferramentas e processos digitais.
Na prática, o mecanismo funciona da seguinte forma:
A candidatura é feita diretamente pelo trabalhador através do portal do IEFP. Ou seja: não é a empresa que ativa a medida.
Mas isso não significa que as empresas não tenham um papel relevante.
Porque esta medida deve interessar aos diretores de RH
A maioria das empresas encara o Cheque Formação + Digital como um apoio individual aos trabalhadores. Essa leitura é correta, mas incompleta.
Na prática, esta medida pode funcionar como um multiplicador do investimento em desenvolvimento de talento dentro das organizações.
Se vários colaboradores utilizarem o apoio para desenvolver competências digitais relevantes para o seu trabalho, a empresa ganha:
Imagine uma equipa onde dez colaboradores utilizam o apoio máximo disponível.
Isso representa 7.500€ de formação financiada externamente, com impacto direto nas competências da equipa.
Num contexto em que as empresas procuram acelerar o upskilling e o reskilling das suas pessoas, esta medida pode tornar-se uma oportunidade que vale a pena considerar.
O papel das empresas: informar, orientar e potenciar
Embora a candidatura seja individual, as empresas podem desempenhar um papel decisivo na forma como esta medida é utilizada.
Na prática, existem três formas simples de o fazer.
1. Informar as equipas
Muitos profissionais continuam a desconhecer a existência do Cheque Formação + Digital.
Uma comunicação interna simples: por exemplo através de um email, da intranet ou de uma sessão informativa, pode fazer a diferença.
Quando as organizações divulgam este tipo de iniciativas, reforçam também uma mensagem importante: o desenvolvimento profissional é valorizado.
2. Orientar as áreas de desenvolvimento prioritárias
Nem toda a formação digital tem o mesmo impacto no contexto de uma empresa.
Os diretores de RH podem ajudar as equipas a refletir sobre perguntas como:
Que competências digitais são mais relevantes para a empresa nos próximos anos?
Que ferramentas ou áreas estão a ganhar importância?
Onde existem lacunas claras nas equipas?
Este alinhamento ajuda os colaboradores a escolher formações que tenham aplicação real no trabalho.
3. Integrar o conhecimento adquirido
Quando um colaborador termina uma formação relevante, o valor para a empresa não está apenas no certificado. Está na aplicação prática do que foi aprendido.
Algumas empresas criam pequenos momentos de partilha interna: apresentações informais, sessões de equipa ou demonstrações de ferramentas para transformar a formação individual em aprendizagem organizacional.
Upskilling e reskilling: uma urgência para as organizações
Estudos recentes indicam que uma parte significativa das tarefas profissionais atuais será transformada pela automação e pela inteligência artificial nos próximos anos.
Isso não significa que as profissões desapareçam. Significa que as competências necessárias para desempenhá-las estão a mudar rapidamente.
Neste contexto, existem dois caminhos principais de desenvolvimento profissional:
Upskilling: aprofundar competências dentro da área atual
Reskilling: desenvolver competências para funções ou responsabilidades diferentes
Em ambos os casos, a formação em competências digitais tornou-se um dos investimentos com maior retorno para profissionais e organizações.
Que formações podem ser financiadas?
O Cheque Formação + Digital abrange um conjunto alargado de competências relacionadas com a economia digital.
Entre as áreas mais comuns encontram-se:
O elemento essencial é que a formação seja ministrada por entidade certificada pela DGERT e tenha uma componente digital clara.
Como escolher formações que realmente acrescentem valor?
Uma das armadilhas mais comuns associadas a apoios de formação é a escolha impulsiva. Quando o financiamento existe, algumas pessoas focam-se apenas na possibilidade de o utilizar. No entanto, o verdadeiro valor está na escolha certa da formação.
Antes de decidir, vale a pena refletir sobre algumas questões simples:
Que competência digital falta hoje na minha função?
Consigo aplicar o que vou aprender no trabalho no curto prazo?
Os formadores têm experiência ativa no mercado?
Os conteúdos foram atualizados recentemente?
A entidade formadora tem reputação reconhecida?
Estas perguntas ajudam a garantir que a formação representa um investimento real em desenvolvimento profissional.
A experiência da Lisbon Digital School
A Lisbon Digital School é uma entidade formadora certificada pela DGERT e disponibiliza cursos elegíveis para o Cheque Formação + Digital em várias áreas estratégicas.
O modelo formativo da escola assenta em três princípios:
As áreas de especialização incluem:
Além da formação, os participantes integram uma comunidade ativa de profissionais do setor digital em Portugal, com acesso a eventos, networking e oportunidades de colaboração.
Como funciona o processo de candidatura?
O processo de candidatura ao Cheque Formação + Digital é relativamente simples e é feito diretamente pelo trabalhador.
Os passos principais são:
Confirmar a elegibilidade enquanto trabalhador empregado ou independente com atividade aberta
As candidaturas estão sujeitas a períodos definidos pela entidade gestora. Neste momento, a medida tem como data final prevista 30 de junho de 2026.
Uma oportunidade que muitas empresas ainda não estão a explorar
Para as empresas que procuram desenvolver as competências digitais das suas equipas, o Cheque Formação + Digital pode funcionar como um instrumento complementar ao investimento interno em formação.
Embora a candidatura seja individual, a informação, orientação e enquadramento dados pelas organizações podem influenciar de forma significativa a forma como esta medida é utilizada.
Quando os colaboradores desenvolvem competências relevantes para o seu trabalho, o benefício não é apenas individual, reflete-se na capacidade das equipas, na adaptação das organizações e na competitividade das empresas num mercado cada vez mais digital.
Quer perceber que formações podem ser enquadradas no Cheque Formação + Digital para a sua equipa?
A equipa da Lisbon Digital School pode ajudar a identificar áreas de formação relevantes e esclarecer dúvidas sobre a elegibilidade dos cursos.
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