Artigo da autoria de Miguel Maio, Global SEO Specialist na Mercedez-Benz.io.
Durante décadas, habituámo-nos a pensar na descoberta digital como uma corrida pela “Pole Position”. Quem aparecia no topo do Google ganhava atenção e o clique. Quem ficava na segunda página ficava, basicamente, no paralelo digital de uma cave sem luz.
Hoje, cada vez mais pessoas já não querem apenas uma lista de links. Querem uma resposta. Uma síntese. Uma recomendação “à la carte”. Um caminho curto entre a pergunta e a decisão. E é aqui que entram o ChatGPT, o Perplexity, o Copilot, o Gemini, os AI Overviews/Mode no Goole e todos os novos motores generativos que começam a intermediar a nossa relação com a informação.
A pergunta deixou de ser apenas: “o meu site aparece no Google?”
Agora é também: “quando a IA responde sobre o meu tema, a minha marca aparece?”
É aqui que nasce o GEO, ou Generative Engine Optimization. Se o SEO nos ensinou a otimizar para motores de pesquisa, o GEO obriga-nos a otimizar para motores que leem, interpretam, resumem, comparam e recomendam.
Generative Engine Optimization (GEO) é o conjunto de estratégias que ajuda marcas e conteúdos a aumentar a sua visibilidade em motores generativos como ChatGPT, Gemini, Perplexity ou Google AI Overviews.
Porque, neste novo contexto, não basta publicar conteúdo. É preciso ser compreendido. Não chega ter autoridade. É preciso que essa autoridade seja reconhecível. Não chega existir online. É preciso existir de forma clara, estruturada, consistente e confiável para humanos e para máquinas.
O GEO (Generative Engine Optimization) vive nesse cruzamento entre conteúdo, tecnologia, reputação e estratégia. Tem uma dimensão ofensiva: aumentar a probabilidade de uma marca ser citada, recomendada e bem posicionada nas respostas geradas por IA. Mas tem também uma dimensão defensiva: perceber o que os modelos estão a dizer sobre nós, corrigir informação errada e evitar que uma resposta automática, cheia de confiança, conte uma versão criativa demais da nossa marca.
No fundo, o GEO obriga-nos a fazer uma pergunta desconfortável: se uma IA tivesse de explicar quem somos, o que fazemos e porque somos relevantes, ela conseguiria?
Se a resposta for “talvez”, temos trabalho a fazer!
A boa notícia é que este trabalho não é magia. Não é futurologia. Não é mais uma buzzword para enfeitar slides de apresentações. É método. É diagnóstico. É estrutura. É conteúdo melhor. É técnica mais afinada. É monitorização. É estratégia.
O SEO não morreu. Mas está a chegar à sua idade adulta. Ganhou novos interlocutores, novas superfícies de descoberta e novas exigências. Continuamos a precisar de bons sites, bons conteúdos, dados estruturados, autoridade e experiência. Só que agora também precisamos de perceber como os motores generativos escolhem fontes, constroem respostas e decidem quem merece ser citado.
A (próxima) grande batalha da descoberta digital já não será apenas pelo clique.
E talvez seja essa a grande provocação do GEO: num mundo onde a IA responde por nós, as marcas que não forem claras, úteis e credíveis correm o risco de se tornarem invisíveis sem sequer perceberem quando isso aconteceu.
Por isso, mais do que perguntar “como subo no ranking?”, talvez esteja na altura de perguntar:
Espelho meu, espelho meu… existe alguém mais citado do que eu?
Quando a próxima resposta for gerada, eu estarei lá?
Desde 2009 que se dedica ao ensino em Marketing Digital.
Iniciou a sua atividade de formação no IPL (Leiria) na área de SEO/SEM e Analytics. Eleito pelos alunos como o melhor Professor da 5ª, 6ª e 9ª edição da Pós-Graduação Digital Business na Porto Business School, na Universidade do Porto.
É certificado pela Google em publicidade Google Ads e ferramentas de medição de tráfego, Google Analytics. Detém certificações em SEO pelo eMarketing Institute, Hubspot e Blue Array SEO Certification para a área de Technical SEO.
Desde 2019, é o Global SEO Specialist na Mercedes-Benz.io onde desenvolve a nível central para diversos países as atividades globais de SEO para os websites e lojas de Commerce da Mercedes-Benz.
Entre 2010 a 2018, o seu percurso profissional foi marcado pelo universo de agências de meios da WPP/Groupm, nomeadamente como Head of Digital e Head of Search.
Entre 1998 e 2007, foi responsável pelo desenvolvimento dos projectos online das rádios R/Com Renascença, RFM e Mega Hits (ex-MEGA FM).
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