Cheque Formação + Digital: como as empresas podem acelerar o upskilling das equipas 

Nos últimos anos, a transformação digital deixou de ser um tema tecnológico para passar a ser um tema de talento. Ferramentas de automação, inteligência artificial e análise de dados estão a entrar no trabalho quotidiano de áreas tão distintas como marketing, vendas, operações ou recursos humanos. O desafio para muitas empresas é conseguir atualizar as equipas à velocidade que o mercado exige. 

Neste contexto, existe uma medida pública que muitas organizações ainda conhecem pouco: o Cheque Formação + Digital

Embora a candidatura seja feita individualmente pelos trabalhadores, a medida pode tornar-se um instrumento relevante para as empresas que procuram acelerar o desenvolvimento digital das suas equipas. 

Este artigo explica o que é a medida, como funciona e, sobretudo, qual pode ser o papel das empresas na sua ativação. 

O que é o Cheque Formação + Digital 

O Cheque Formação + Digital é uma medida integrada no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que financia formação em competências digitais para trabalhadores empregados. 

O objetivo é simples: acelerar a digitalização da força de trabalho em Portugal, num momento em que praticamente todas as funções estão a incorporar ferramentas e processos digitais. 

Na prática, o mecanismo funciona da seguinte forma: 

  • cada trabalhador elegível pode receber até 750€ de financiamento 
  • o valor corresponde ao reembolso da formação realizada 
  • a formação tem de ser ministrada por entidade certificada pela DGERT 
  • os conteúdos devem incidir sobre competências digitais reconhecidas 

A candidatura é feita diretamente pelo trabalhador através do portal do IEFP. Ou seja: não é a empresa que ativa a medida. 

Mas isso não significa que as empresas não tenham um papel relevante. 

Porque esta medida deve interessar aos diretores de RH 

A maioria das empresas encara o Cheque Formação + Digital como um apoio individual aos trabalhadores. Essa leitura é correta, mas incompleta. 

Na prática, esta medida pode funcionar como um multiplicador do investimento em desenvolvimento de talento dentro das organizações. 

Se vários colaboradores utilizarem o apoio para desenvolver competências digitais relevantes para o seu trabalho, a empresa ganha: 

  • equipas mais preparadas para novos desafios tecnológicos 
  • maior capacidade de adaptação a ferramentas digitais e IA 
  • desenvolvimento profissional sem impacto direto no orçamento de formação 

Imagine uma equipa onde dez colaboradores utilizam o apoio máximo disponível. 

Isso representa 7.500€ de formação financiada externamente, com impacto direto nas competências da equipa. 

Num contexto em que as empresas procuram acelerar o upskilling e o reskilling das suas pessoas, esta medida pode tornar-se uma oportunidade que vale a pena considerar. 

O papel das empresas: informar, orientar e potenciar 

Embora a candidatura seja individual, as empresas podem desempenhar um papel decisivo na forma como esta medida é utilizada. 

Na prática, existem três formas simples de o fazer. 

1. Informar as equipas 

Muitos profissionais continuam a desconhecer a existência do Cheque Formação + Digital. 

Uma comunicação interna simples: por exemplo através de um email, da intranet ou de uma sessão informativa, pode fazer a diferença.  

Quando as organizações divulgam este tipo de iniciativas, reforçam também uma mensagem importante: o desenvolvimento profissional é valorizado.  

2. Orientar as áreas de desenvolvimento prioritárias 

Nem toda a formação digital tem o mesmo impacto no contexto de uma empresa. 

Os diretores de RH podem ajudar as equipas a refletir sobre perguntas como: 

Que competências digitais são mais relevantes para a empresa nos próximos anos? 

Que ferramentas ou áreas estão a ganhar importância? 

Onde existem lacunas claras nas equipas? 

Este alinhamento ajuda os colaboradores a escolher formações que tenham aplicação real no trabalho. 

3. Integrar o conhecimento adquirido 

Quando um colaborador termina uma formação relevante, o valor para a empresa não está apenas no certificado. Está na aplicação prática do que foi aprendido. 

Algumas empresas criam pequenos momentos de partilha interna: apresentações informais, sessões de equipa ou demonstrações de ferramentas para transformar a formação individual em aprendizagem organizacional. 

Upskilling e reskilling: uma urgência para as organizações 

Estudos recentes indicam que uma parte significativa das tarefas profissionais atuais será transformada pela automação e pela inteligência artificial nos próximos anos. 

Isso não significa que as profissões desapareçam. Significa que as competências necessárias para desempenhá-las estão a mudar rapidamente. 

Neste contexto, existem dois caminhos principais de desenvolvimento profissional: 

Upskilling: aprofundar competências dentro da área atual 

Reskilling: desenvolver competências para funções ou responsabilidades diferentes 

Em ambos os casos, a formação em competências digitais tornou-se um dos investimentos com maior retorno para profissionais e organizações. 

Que formações podem ser financiadas? 

O Cheque Formação + Digital abrange um conjunto alargado de competências relacionadas com a economia digital. 

Entre as áreas mais comuns encontram-se: 

  • marketing digital e performance 
  • análise de dados e business intelligence 
  • inteligência artificial aplicada ao trabalho 
  • cibersegurança 
  • e-commerce 
  • experiência do utilizador (UX/UI) 
  • gestão de projetos digitais 

O elemento essencial é que a formação seja ministrada por entidade certificada pela DGERT e tenha uma componente digital clara. 

Como escolher formações que realmente acrescentem valor? 

Uma das armadilhas mais comuns associadas a apoios de formação é a escolha impulsiva. Quando o financiamento existe, algumas pessoas focam-se apenas na possibilidade de o utilizar. No entanto, o verdadeiro valor está na escolha certa da formação. 

Antes de decidir, vale a pena refletir sobre algumas questões simples: 

Que competência digital falta hoje na minha função? 

Consigo aplicar o que vou aprender no trabalho no curto prazo? 

Os formadores têm experiência ativa no mercado? 

Os conteúdos foram atualizados recentemente? 

A entidade formadora tem reputação reconhecida? 

Estas perguntas ajudam a garantir que a formação representa um investimento real em desenvolvimento profissional. 

A experiência da Lisbon Digital School 

A Lisbon Digital School é uma entidade formadora certificada pela DGERT e disponibiliza cursos elegíveis para o Cheque Formação + Digital em várias áreas estratégicas. 

O modelo formativo da escola assenta em três princípios: 

  • aprendizagem prática, com aplicação direta ao trabalho 
  • docentes com experiência ativa no mercado 
  • conteúdos atualizados regularmente 

As áreas de especialização incluem: 

  • marketing digital e estratégia 
  • performance e paid media 
  • análise de dados e business intelligence 
  • inteligência artificial aplicada ao marketing e à gestão 
  • e-commerce e experiência digital 
  • UX/UI e design de produto digital 

Além da formação, os participantes integram uma comunidade ativa de profissionais do setor digital em Portugal, com acesso a eventos, networking e oportunidades de colaboração. 

Como funciona o processo de candidatura? 

O processo de candidatura ao Cheque Formação + Digital é relativamente simples e é feito diretamente pelo trabalhador. 

Os passos principais são: 

Confirmar a elegibilidade enquanto trabalhador empregado ou independente com atividade aberta 

  • Escolher a entidade formadora e o curso 
  • Inscrever-se na formação e frequentá-la 
  • Submeter a candidatura no portal do IEFP com a documentação necessária 
  • Após conclusão da formação, receber o reembolso do valor atribuído 

As candidaturas estão sujeitas a períodos definidos pela entidade gestora. Neste momento, a medida tem como data final prevista 30 de junho de 2026. 

Uma oportunidade que muitas empresas ainda não estão a explorar 

Para as empresas que procuram desenvolver as competências digitais das suas equipas, o Cheque Formação + Digital pode funcionar como um instrumento complementar ao investimento interno em formação. 

Embora a candidatura seja individual, a informação, orientação e enquadramento dados pelas organizações podem influenciar de forma significativa a forma como esta medida é utilizada. 

Quando os colaboradores desenvolvem competências relevantes para o seu trabalho, o benefício não é apenas individual, reflete-se na capacidade das equipas, na adaptação das organizações e na competitividade das empresas num mercado cada vez mais digital. 

Quer perceber que formações podem ser enquadradas no Cheque Formação + Digital para a sua equipa? 

A equipa da Lisbon Digital School pode ajudar a identificar áreas de formação relevantes e esclarecer dúvidas sobre a elegibilidade dos cursos. 


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