Artigo da autoria de Bruno Oliveira, Head of Digital Hub & E-Business SUMOL COMPAL.
As pessoas continuam a misturar dois conceitos quando falam de IA: produtividade e negócio.
Um tem impacto a curto prazo no dia-a-dia de um profissional. O outro cria processos de negócio a correr com IA, com dono, métrica e custo conhecido.
Um gestor que escreve emails 30% mais depressa não mexe na margem da empresa.
E é aqui que muitas conversas sobre IA se perdem.
Continuo a ver dois conceitos misturados:
Produtividade individual. “Como trabalho mais depressa?”
IA no negócio. “Que processo corre hoje com IA, com dono, métrica e custo conhecido?”
A primeira tem impacto no dia a dia de cada profissional. A segunda muda a estrutura de custos.
A distância entre estas duas perguntas é o retrato real da IA nas empresas portuguesas. Muita experimentação, muita vontade e uma enorme confusão de conceitos. Muitas vezes, faltam as bases.
A tecnologia está disponível. O problema está na porta de entrada. Muitas empresas compraram licenças, deram acesso a um chatbot e esperaram que a produtividade subisse sozinha. Subiu em algumas pessoas. Na empresa, não.
As empresas onde vejo a IA a produzir resultado fazem quatro coisas que as outras não fazem.
Um prompt bem feito desaparece ao fim do dia. Uma skill, um GPT configurado para a equipa, um assistente de pricing ou um analista de dashboards fica. Reutiliza-se, partilha-se, melhora-se. A diferença entre usar IA e aplicar IA é esta: no fim da semana, sobra alguma coisa que a empresa possui?
Payback, VPL, TIR. As mesmas métricas que se exigem a uma linha de produção ou a uma campanha. Quando a IA não passa por este filtro, acaba como piloto eterno.
Um fluxo em Make, n8n ou Power Automate que liga o CRM ao email e ao sistema de faturação vale mais do que cem prompts isolados. Um agente que trata de uma tarefa real do princípio ao fim, com memória e ferramentas, muda a estrutura de custos. Isto é engenharia de processo.
O AI Act já obriga à literacia em IA em todas as organizações da UE. A maioria das empresas portuguesas ainda não tem uma política interna escrita. Vão ter, ou por decisão ou por susto. É muito mais barato por decisão.
Isto exige que os gestores percebam o suficiente para fazer boas perguntas aos técnicos. Não precisam de programar. Precisam de saber distinguir um agente de um chatbot, um fluxo automatizado de um script, e perceber o impacto do AI Act e do RGPD na questão dos servidores.
O Executive AI for Business na Lisbon Digital School é uma formação que funciona como uma evolução: compreender todo o ecossistema de IA e saber como aplicá-la na capacidade individual e na empresa.
Trabalha as duas lentes em simultâneo: a produtividade de cada gestor e a aplicação da IA no negócio, com uma visão completa do que existe hoje e de como se encaixa.
Em 2027, perguntar se a empresa usa IA vai soar datado. A pergunta útil é que impacto vai ter no negócio nos próximos 3 anos.
Na vossa empresa, qual destes quatro pontos está mais atrasado?
Bruno Oliveira tem mais de 20 anos de experiência em FMCG nas áreas de Marketing, Vendas e Trade Marketing, o que lhe permite ter uma visão abrangente das diferentes realidades do Marketing.
Em 2014, ficou responsável pela gestão da marca Sumol, iniciando a transformação digital da marca, criando um ecossistema próprio, permitindo um conhecimento profundo sobre tendências digitais e do consumidor que se materializou em alguns projetos inovadores como Cocreators by Sumol, Sumol X, Latas tu, Metaverso e toda a pegada digital da marca. Em 2021, a marca Sumol foi considerada pelo TikTok a nível global, como uma das marcas referência nesta plataforma.
Recentemente, tornou-se HEAD da nova área Digital da Sumol Compal, o DIGITAL HUB & E-BUSINESS que trabalha 4 pilares das marcas: Transformação Digital, Estratégia Ecossistema Digital, Data Centric e Comunidades & Influenciadores. Licenciado em Gestão pela Universidade Nova de Lisboa, detém uma Pós-Graduação em Marketing Digital pelo IPAM/IADE.
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